Você já imaginou como era a vida na Terra há milhões de anos? A Bacia Bauru, localizada no centro-sul do Brasil, guarda segredos fascinantes sobre o período Cretáceo Superior, quando dinossauros, crocodilos gigantes e tartarugas ancestrais dominavam o território que hoje conhecemos como Uberaba, em Minas Gerais. Neste artigo, vamos explorar as descobertas paleontológicas dessa região e as técnicas utilizadas para desvendar o passado distante do nosso planeta.
Os dinossauros originaram o petróleo? Descubra neste artigo!
A Bacia Bauru: Um Tesouro Paleontológico
A Bacia Bauru é uma formação geológica intracratônica originada no Cretáceo Superior (entre 80 e 65 milhões de anos atrás), em um ambiente semiárido a árido. Ela se estende por partes dos estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais, cobrindo uma área de mais de 370.000 km². Suas rochas sedimentares, como as Formações Uberaba e Marília, preservam fósseis incríveis, incluindo titanossauros (dinossauros herbívoros gigantes), crocodilomorfos terrestres e quelônios.

Aprenda sobre nosso planeta com o Livro Para Entender a Terra!
A Formação Marília, em especial, é famosa por seus depósitos de leques aluviais e sistemas fluviais efêmeros, onde os fósseis são frequentemente encontrados. Dois de seus membros, Ponte Alta e Serra da Galga, são ricos em fósseis de dinossauros e outros répteis, graças à cimentação por carbonato de cálcio, que ajudou na preservação desses vestígios. A região de Uberaba, em Minas Gerais, guarda um dos mais importantes registros paleontológicos do Brasil, formado há cerca de 85 a 66 milhões de anos. Este ambiente antigo, semiárido e repleto de rios efêmeros, foi o lar de titanossauros gigantes, crocodilos terrestres e tartarugas pré-históricas.
Recentemente, descobertas e avanços tecnológicos têm revelado novos detalhes sobre esse ecossistema perdido, tornando a Bacia Bauru um dos sítios paleontológicos mais estudados do país. Vamos explorar!

Visite Geo Sites e encontre links úteis em geociências
Técnicas de Escavação e Pesquisa
O Programa de Treinamento de Estudantes Universitários (PROTEU), realizado em Peirópolis, Uberaba, oferece uma imersão prática em paleontologia. Durante o curso, os participantes aprendem técnicas essenciais, como:
- Screen Washing: Peneiração de sedimentos para encontrar microfósseis, como dentes e ossos de pequenos animais.
- Escavações Paleontológicas: Remoção cuidadosa de fósseis em blocos de rocha, como a escápula de um titanossauro.
- Escavações de precisão: Uso de drones para mapear sítios paleontológicos.
- Paleoarte: Reconstrução artística de animais pré-históricos com base em evidências científicas, aproximando o público da paleontologia. Reconstruções 3D baseadas em dados científicos.
- Réplicas: Criação de moldes de ossos e dentes para exposição em museus, preservando os originais para pesquisa.
Visite o Glossário e saiba mais sobre alguns termos em geociências
O Museu dos Dinossauros e o Centro Price
O Centro de Pesquisas Paleontológicas Llewellyn Ivor Price e o Museu dos Dinossauros, em Peirópolis, são referências nacionais em divulgação científica. O museu abriga dioramas, reconstruções de dinossauros e fósseis originais, como o Uberabasuchus terrificus (um crocodilo terrestre) e o Uberabatitan ribeiroi, (um titanossauro de 20 metros de comprimento).
Além disso, o museu promove eventos como a Semana dos Dinossauros, que une ciência, educação e cultura para conscientizar o público sobre a importância da preservação do patrimônio fossilífero.
O museu atualmente conta com exposições interativas, com réplicas em tamanho real e com realidade aumentada, além de acervo online com fósseis digitalizados para visitação virtual.
Visite o Museu dos Dinossauros em Uberaba!
Novas Descobertas
Pesquisas recentes trouxeram importantes destaques da fauna pré-histórica:
- Ovos de Dinossauros Preservados: cientistas descreveram ovos fossilizados de titanossauros, com estruturas internas que sugerem áreas secas.
- Pequenos Terópodes Carnívoros: novos dentes e ossos indicam a presença de dinossauros carnívoros menores, possivelmente caçadores em bandos.
- Titanossauros: Herbívoros gigantes, como o Uberabatitan ribeiroi, que atingiam 20 metros de comprimento.
- Crocodilomorfos terrestres: Como o Uberabasuchus terrificus, um predador ágil que caçava em ambientes secos.
- Tartarugas e anfíbios: Espécies adaptadas a climas semiáridos, como o Baurubatrachus pricei, um sapo ancestral.
- Técnicas de Escaneamento 3D: a tomografia computadorizada está sendo usada para estudar fósseis frágeis sem danificá-los, revelando detalhes como marcas de músculos e vasos sanguíneos.

A Importância da Paleontologia?
A paleontologia vai além do estudo de ossos antigos. Ela nos ajuda a entender:
- A evolução da vida na Terra;
- Mudanças climáticas do passado, seus impactos nos ecossistemas e suas lições para o presente;
- A formação de bacias sedimentares, essenciais para a exploração de recursos naturais.
- A evolução dos répteis antes da extinção dos dinossauros.

Conclusões
A Bacia Bauru e as pesquisas realizadas em Peirópolis demonstram como a paleontologia pode integrar ciência, divulgação científica e turismo cultural. Para entusiastas de dinossauros ou qualquer pessoa interessada na história geológica da Terra, visitar o Museu dos Dinossauros em Peirópolis é uma oportunidade única de explorar nosso passado pré-histórico.
Além de seu extraordinário valor científico, a Bacia Bauru proporciona insights fundamentais sobre a biodiversidade e os processos evolutivos que moldaram os ecossistemas do Cretáceo Superior no território brasileiro.
Fontes:
BASILICI, G.; DAL BÓ, P. F. F.; LADEIRA, F. S. B. Climate‐induced sediment‐palaeosol cycles in a Late Cretaceous dry aeolian sand sheet: Marília Formation (North‐West Bauru Basin, Brazil). Sedimentology, v. 56, n. 6, p. 1876-1904, 2009. https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/j.1365-3091.2009.01061.x
BATEZELLI, A. Análise da sedimentação cretácea no Triângulo Mineiro e sua correlação com áreas adjacentes. 2003. https://repositorio.unesp.br/entities/publication/b4e7499f-dfba-400b-bff6-0e714c966d32
DE SOUZA CARVALHO, I.; RIBEIRO, L.C.B.; DOS SANTOS AVILLA, L. Uberabasuchus terrificus sp. nov., a new Crocodylomorpha from the Bauru Basin (Upper Cretaceous), Brazil. Gondwana Research, v. 7, n. 4, p. 975-1002, 2004. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1342937X05710790
MILANI, E. J. et al. Bacia do Paraná. Boletim de Geociências da Petrobrás, v. 15, n. 2, p. 265-287, 2007. https://bgp.petrobras.com.br/bgp/article/download/582/494
QUEIROZ, M. P. O terrível crocodilo de Uberaba. Revista Minas Faz Ciência, n. 22, jun.-ago. 2005. https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Uberabasuchus.
SALES, M. A. F, et al. New dinosaur remains and the tetrapod fauna from the Upper Cretaceous of Mato Grosso State, central Brazil. Historical Biology 30.5 (2018): 661-676. https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/08912963.2017.1315414
UFTM (Universidade Federal do Triângulo Mineiro). Complexo Cultural e Científico de Peirópolis – CCCP. 2024. https://www.uftm.edu.br/proext/cccp/museu-dos-dinossauros
VILELA, P. C. Upper Cretaceous Aeolian Depositional Systems: The Marília Formation in the regions between Northwestern São Paulo and Southern Goiás. International Journal of Geoscience, Engineering and Technology, v. 4, n. 1, p. 45-60, 2023. https://www.geovales.com/index.php/Journal/article/view/159




